O SmartX é a nova plataforma de desenvolvimento da TOTVS. Em vez de programar telas, o desenvolvedor descreve dados, regras e layout em metadados e contratos baseados em JSON Schema, e o framework gera a interface web automaticamente. No TOTVS Protheus, ele estreia no release 12.1.2610, respeita o dicionário de dados (SX2/SX3) e traz um novo jeito de customizar, com Custom Merge e SmartLink.
A DO THINK esteve no Universo TOTVS 2026 (13 e 14 de outubro, em São Paulo) e assistiu a duas palestras sobre o tema: “SmartX: a nova plataforma de desenvolvimento das linhas Protheus, RM e Datasul” e “Linha Protheus: criando e customizando aplicações com a plataforma SmartX”. Neste guia, juntamos o que vimos nos slides com a documentação oficial da TOTVS na TDN e com a cobertura da imprensa especializada. Também deixamos claro o que ainda não está confirmado.
Resumo rápido
- O que é: framework da TOTVS que gera telas web a partir de metadados e contratos, comum às linhas Protheus, RM e Datasul.
- No Protheus: estreia no 12.1.2610 (Lib Label ≥ 20260418), com a “Nova Visão” de browse nas rotinas já compatibilizadas, alternável com Shift+F6.
- Como se desenvolve: três artefatos. O Objeto representa a tabela, o Modelo (classe TLPP) guarda as regras e a Interface (classe TLPP) descreve a tela. Um Launcher entra no menu.
- Como se customiza: projeto na plataforma de customização, preview com dado real e pacote aplicado no Protheus via SmartLink. O Custom Merge reaplica o seu diferencial a cada release.
- Atenção: a arquitetura passa a ser stateless. Nas rotinas SmartX não valem Papel de Trabalho, filtros em AdvPL, aHeader/aCols, ViewDef nem tabelas temporárias.
O que é o SmartX da TOTVS
Na definição oficial publicada na TDN, o SmartX (grafado “Smart X” na documentação) é um framework que gera telas com interface moderna automaticamente a partir de metadados. O desenvolvedor descreve o quê (estrutura de dados, regras de negócio, layout) e o framework gera e renderiza a interface. Não é preciso construir componentes visuais em Angular.
Na palestra da linha Protheus, a mensagem foi direta: o SmartX será a nova forma de desenvolver funcionalidades para os ERPs da TOTVS, com melhor experiência para o usuário e mais padronização entre as linhas de produto.
Os quatro pilares
- Experiência: telas web responsivas, com o mesmo padrão visual em todas as linhas TOTVS.
- Produtividade: declara-se a solução e o framework entrega backend e frontend juntos.
- Customização: interface e camada de negócio customizáveis, com edição visual e pacotes replicáveis.
- Evolução: o produto se atualiza (bibliotecas, Angular, PO UI) sem quebrar o que foi customizado.
As três premissas “não negociáveis”
A TOTVS apresentou o que não abre mão no SmartX:
- Suporte ao dicionário de dados na linha Protheus.
- Facilidade e produtividade no desenvolvimento do produto padrão e das personalizações.
- Experiência unificada para o cliente no uso dos ERPs TOTVS.
Contratos: o conceito por trás de tudo
“O modelo de desenvolvimento do SmartX se baseia em contratos.”Slide da palestra da linha Protheus, Universo TOTVS 2026
Os contratos são definidos numa extensão do padrão JSON Schema. Na prática, isso desacopla a camada de apresentação (frontend) da camada de negócio (backend). O servidor descreve a tela e um motor no navegador a desenha. Segundo a TOTVS, esse modelo também dá flexibilidade e segurança para, no futuro, trocar a tecnologia de apresentação sem reescrever as regras.
O que o SmartX não é
O nome confunde com outros produtos “Smart” da TOTVS. O Smart View é a ferramenta de relatórios e visões de dados, presente desde o 12.1.2310. O Smart Analytics é BI, e o Smart ERP é a oferta do ERP em nuvem. Nenhum deles é o SmartX, que é a plataforma de desenvolvimento de telas e rotinas.
Como o SmartX se relaciona com o TOTVS Protheus
O Protheus é a primeira linha a colocar o SmartX em produção. Pela palestra, o objetivo é unir rotinas web com recursos visuais e de usabilidade avançados e as funcionalidades do dicionário de dados, que sempre foram a força do Protheus.
Release 12.1.2610 e requisitos
A documentação da TOTVS para as rotinas Smart X de Estoque/Custos lista os requisitos:
- Release 12.1.2610 ou superior.
- Lib Label igual ou superior a 20260418.
- Dicionário de dados atualizado pelo pacote de Expedição Contínua mais recente. O dicionário em banco de dados já é obrigatório desde o 12.1.2210.
- Teclas de atalho nas telas novas só funcionam com o WebApp configurado pela porta TCP.
O 12.1.2610 passou por um Projeto Piloto com clientes da linha Protheus: webinars em março de 2026, testes automatizados entre maio e julho e desconto temporário na licença para os selecionados. Isso mostra o tamanho da mudança. Se você está planejando o upgrade, veja também como conduzimos uma atualização de versão do Protheus e o que trouxe a release 12.1.2510.
Objeto, Modelo e Interface: os três artefatos
Toda rotina SmartX é montada com três peças, cada uma descrita por contrato:
| Artefato | O que representa | Como é construído |
|---|---|---|
| Objeto | A estrutura do dado: tabela, campos, chaves (PK, FK, unique), índices, not null e finders | Contrato JSON gerado a partir do dicionário (ObjectFromMetadata()) ou por código (BuildFromCode()) |
| Modelo | A visão de negócio: regras, relacionamentos pai/filho em N níveis, herança e eventos | Classe TLPP |
| Interface (rotina) | O comportamento da tela: layouts, seções, componentes, eventos e ações do browse e dos formulários de inclusão, edição e visualização | Classe TLPP que devolve o contrato de UI |
| Launcher | O ponto de entrada da rotina no menu | Função que aponta para a Interface (exemplo oficial: FINA050SM, Contas a Pagar) |
Um detalhe é exclusivo do Protheus. Por causa do metadado, os objetos já nascem com regras de negócio e de apresentação herdadas do dicionário (validações, gatilhos, títulos, máscaras). As camadas seguintes podem sobrepor ou redefinir essas regras. Um campo de texto no SX3 já vira um componente funcional na tela. O que foge do padrão é configurado.
Nova Visão: como ativar e alternar
A partir do 12.1.2610, as rotinas compatibilizadas ganham a Nova Visão (Browse). A decisão é do administrador:
- Caminho: SIGACFG → Usuários → Senhas → Política → aba Outros → Recursos do Sistema, opção “Abrir rotinas na visão clássica por padrão”.
- Em bases novas, a visão clássica vem marcada por padrão.
- O usuário alterna entre as visões com Shift+F6, e a escolha fica salva no perfil dele para aquela rotina.
- Se a rotina ainda não foi compatibilizada, ela continua na visão clássica.
Quais rotinas já usam o SmartX
A TOTVS fala em mais de 100 rotinas modernizadas no 12.1.2610, com foco no backoffice: cadastro de produtos, contas a pagar e a receber, pedido de compra, solicitação de compras, notas fiscais de entrada, liberações de pedido e documentos fiscais. Só em Estoque/Custos e ACD, a TDN lista cerca de 50 browses Smart X, ainda marcados como “fase de testes”. Alguns exemplos:
- MATA010 (Produtos), MATA220 (Saldos Iniciais), MATA225 (Saldos em Estoque).
- MATA241 (Movimentos Internos), MATA261 (Transferência Múltipla), MATA105 (Solicitação ao Armazém).
- MATA270 (Inventário), ACDA030 (Mestre de Inventário) e ACDA035 (Lançamento de Inventário), do SIGAACD.
Para cada rotina, a documentação indica os pontos de entrada do browse que continuam valendo e os que foram descontinuados na Nova Visão, como MA010FIL, MT220FIL, MT261FIL e MT105FIL. Quem tem customização nessas rotinas precisa revisar isso antes de ativar a nova tela.
Arquitetura: como o SmartX funciona por dentro
Antes e depois
Na palestra de plataforma, a TOTVS usou um pedido de venda para mostrar o problema. No modelo anterior, cada tela (cadastro reduzido, cadastro completo, consulta/zoom) tinha sua própria implementação em PO UI sobre uma API REST. A cada nova tela, as mesmas perguntas voltavam: “e o permissionamento?”, “e a validação?”, “implementa filtro?”. No SmartX, objetos e modelos ficam no backend, uma API expõe os serviços e as rotinas são apresentadas por um único motor, o Smart UI.
As camadas do SmartX
O slide “Arquitetura SmartX” mostrou a pilha completa, do usuário até a persistência. Nós a reproduzimos abaixo:
- UsuárioAcessa a rotina pelo navegador
- InterfacePO UIAnimalia DS
- Framework FrontendSmart UIGuia de Estilos
- ProdutoDefinição de rotinaDefinição de modeloDefinição de objeto
- Framework BackendCamada de exposiçãoPersistência
Os benefícios apontados para essa arquitetura foram:
- desenvolvimento rápido, seguro e padronizado;
- programas com interface e camada de negócio customizáveis;
- projetos sempre atualizados com a versão do PO UI e do Angular;
- drástica redução de artefatos no ambiente.
Do clique à tela: o contrato de interface
Todo o fluxo de apresentação passa pelo Smart UI. O navegador não tem a tela pronta. Ele pede ao servidor a descrição da tela e a desenha na hora:
- Usuário acessa a rotinapelo menu do Protheus
- Smart UI pede a interfacesolicita ao servidor as informações da tela
- Servidor processamonta a resposta a partir de objetos, modelo e interface
- Servidor devolve o contratoum JSON que descreve campos, seções e ações
- Smart UI interpretaconstrói a interface a partir do contrato
- Tela apresentadacom eventos que permitem operações adicionais
Também foi destacado que toda interação com o backend é feita pelo Smart UI e que os eventos publicados podem ser derivados. É por esse caminho que entram as personalizações de comportamento.
Backend com foco na regra de negócio
No servidor, o SmartX padroniza tudo o que se repetia em cada API: protocolo HTTP, gestão de rotas, verbos GET/POST/PUT/PATCH/DELETE, serialização, segurança e validação de dados. O desenvolvedor se concentra no Modelo e nos Objetos. A TOTVS lista como ganhos produtividade, abstração do metadado, mitigação de riscos, testes centralizados e ciclo de vida facilitado.
A grande virada: de stateful para stateless
É o ponto mais importante para quem já tem customizações. A própria TOTVS descreve o SmartX como uma mudança de paradigma: sai a arquitetura stateful, com conexão direta via DBAccess/RDD, e entra a stateless, baseada em serviços REST/oData. O frontend roda em uma thread separada e consome JSON por API. Por isso, recursos que dependem de “estado” (variáveis estáticas ou privadas, área de trabalho aberta, cursor posicionado) deixam de funcionar nas rotinas SmartX.
Funcionalidades e benefícios
| Recurso | Na prática |
|---|---|
| Telas geradas por metadados | Menos código de interface e padrão visual único (PO UI) em todas as rotinas |
| Dicionário de dados como fonte | Incluir ou retirar um campo no dicionário reflete na tela sem alterar código de frontend |
| Camada isolada do Angular | Atualizações de bibliotecas de frontend deixam de ser um passivo do time de customização (promessa da TOTVS) |
| Browse moderno | Responsivo, 100 registros por página (configurável até 1.000), agrupamento por coluna, filtros em tags e filtro oData |
| Backend padronizado | Rotas, serialização, segurança e validação prontas: testes centralizados e menos risco |
| Customização como diferença | Com o Custom Merge, o upgrade reaplica suas mudanças sobre a nova release |
| Experiência unificada | Mesma arquitetura para Protheus, RM e Datasul, o que significa menos treinamento |
O futuro do desenvolvimento com SmartX
O encerramento da palestra de plataforma resumiu a proposta em três eixos:
01. Agilidade e padronização
- Redução na programação
- Independência de bibliotecas externas
- Padrão de interface
- Aprendizado acelerado
02. Flexibilidade e extensibilidade
- Variação de pontos de entrada
- Preservação da regra central
- Organização e segurança
- Plataforma unificada
03. Evolução contínua
- Evolução de comportamentos
- Adição de novas features
- Atualização de bibliotecas
- Substituição de tecnologias
Customização no SmartX: plataforma, SmartLink e Custom Merge
Esta foi a parte mais prática da palestra da linha Protheus, e a que mais interessa a quem mantém um ERP customizado. A ideia é organizar a customização em um projeto versionado, criado numa plataforma de customização low-code (SaaS, na Plataforma de Aplicações TOTVS) e aplicado no Protheus como pacote.
“Você já faz isso hoje”: do Configurador para a plataforma
| Hoje | Com a plataforma de customização SmartX |
|---|---|
| Configurador: edição técnica do dicionário (SX3/SX2), validações, gatilhos, índices, pastas, agrupamentos e consultas padrão | Edição Visual: edição visual e guiada dos artefatos, em vez de editar o dicionário diretamente |
| Exige conhecer a estrutura técnica das tabelas | Formulários e Preview: formulários intuitivos com pré-visualização |
| Configurar ambiente por ambiente | Pacotes Replicáveis: projetos e pacotes aplicados em vários ambientes |
| Risco de conflito a cada upgrade | Custom Merge: reaplica automaticamente a customização sobre a nova release |
| Pouca rastreabilidade de quem mudou o quê | Permissões: trilha completa do que muda, com controle rígido e integrado ao Protheus |
Nuvem de um lado, Protheus do outro: o SmartLink
A plataforma de customização roda na nuvem da TOTVS e o Protheus continua no ambiente do cliente. Quem liga as duas pontas é o SmartLink, que garante uma comunicação assíncrona e segura por requisições e respostas JSON e mantém as duas partes desacopladas. O Protheus segue como dono dos artefatos e do dado. Segundo o slide, a mesma arquitetura serve Protheus, RM e Datasul.
Da criação do projeto à aplicação do pacote, em 8 etapas
“A Plataforma orquestra. O Protheus fornece e aplica.” Foi assim que a TOTVS resumiu o fluxo:
- Criar projetonome e linha de produto
- Selecionar contextoempresa e release
- Abrir catálogoobjetos, modelos e rotinas
- Customizarcampos, telas e regras
- Previewver antes de aplicar
- Gerar pacotediff via Custom Merge
- Aplicar no Protheusvia SmartLink
- Customização ativano ambiente
Ao criar o projeto, a plataforma dispara um Context Request para a linha e o Protheus responde com uma tela dinâmica (Context Response). No Protheus, o contexto natural é o Grupo de Empresa.
Do campo à estrutura da tela
Na demonstração, cada detalhe da tela ficava sob controle do cliente:
- Propriedades: título, help, máscara e obrigatoriedade de um campo.
- Abas: criar, renomear e reordenar os agrupadores da tela.
- Seções: escolher quais campos ficam em cada seção e em que ordem.
Custom Merge: aplicar o pacote sem quebrar o produto
O Custom Merge resolve o problema mais caro de um ERP customizado, que é o upgrade. Em vez de copiar a tela inteira, a plataforma guarda só o seu diferencial, o custom schema. Quando chega uma nova release, o diferencial é reaplicado como patch sobre o schema oficial:
$add: adiciona itens.$remove: remove por identifier, índice, match ou valor.$modify: altera parcialmente, com merge profundo.
Controle e previsibilidade em cada etapa
- Controle de permissões: o Protheus define o que pode ser customizado (all, explicit ou deny).
- Diff, não cópia: trafega só o seu diferencial, e o produto segue evoluindo.
- Convive com atualizações: o Custom Merge reaplica a customização sobre a nova release.
- Preview: valida com dado real antes de aplicar.
- Impacto visível: artefatos relacionados avisam o que será afetado.
- Projeto e pacote: customização versionada e replicável entre ambientes.
- Fora do ambiente do ERP: comunicação assíncrona, e o ERP continua dono do dado.
Casos de uso, integrações e aplicações práticas
- Backoffice padrão modernizado: Estoque/Custos (inclusive ACD), Compras, Financeiro e Faturamento ganham browse e telas novas sem que o cliente programe nada.
- Ajustes de tela sem código: campos, abas, seções, títulos e obrigatoriedade definidos na plataforma, com preview e pacote replicável para homologação e produção.
- Rotinas novas sob medida: CRUDs com Modelo e Interface em TLPP. A TDN tem guias como “Construindo uma rotina do zero com Smart X” e “Chamada de funções em ADVPL no Smart X”. É trabalho para uma fábrica de software Protheus preparada para o novo modelo.
- Integrações: rotinas SmartX terão suporte a EAI, só no modo assíncrono, e a Execauto, com mudanças pontuais. Os dois estão “em desenvolvimento”, segundo a TOTVS. Também há filtros via protocolo oData.
- Ecossistema .NET: segundo as notas de versão do TNF 8.1 (TOTVS .NET Framework), já existem pacotes de suporte ao SmartX, sinal de que os contratos servem também aos produtos .NET da TOTVS.
- Inteligência artificial: a TOTVS posiciona a modernização da arquitetura como base para agentes de IA no Protheus (modelo LYNN e Central de IA). O tema não foi abordado nas duas palestras que acompanhamos.
Limitações, requisitos e pontos de atenção
O documento oficial mais importante para quem customiza é a página “Mudança de Comportamento Smart X” da TDN. Ela compara, item por item, o modelo MVC/FWMBrowse com o SmartX. Os pontos de maior impacto:
| Recurso | No SmartX |
|---|---|
| Papel de Trabalho (SIGACFG) | Ignorado. Filtro padrão da visão, restrição de botões, layout forçado e filtro na entrada não funcionam. É o impacto mais crítico. |
Filtros com expressão AdvPL e DbSetFilter | Não funcionam. SetFilterDefault passa a exigir SQL com o prefixo @. |
ViewDef e AddOtherObject | Não disponíveis. O layout é responsivo e automático (PO UI). |
Variáveis de memória, aHeader/aCols e tabelas temporárias | Não suportados (arquitetura stateless). Os dados são tratados pelo objeto dataSet. |
X3_WHEN e validações com interação de tela | O When dinâmico não existe. As validações são adaptadas, com o novo campo X3_VLDSMX. |
| Botões customizados | Viram Actions que chamam uma função ou API no backend. |
| Legendas (.BMP e cores RGB) | Viram tags com cores padronizadas (color-01 a color-12). |
| Browse | Sem painel mestre/detalhe na mesma tela e sem múltiplos browses na mesma rotina. A busca rápida filtra só a página carregada. |
| Personalização pelo usuário | Sem colunas com fórmula e sem troca de máscara ou título. Continua possível mostrar, ocultar e reordenar colunas. |
| Componente Tree e browses com AxCadastro | Não disponíveis ou não conversíveis no 12.1.2610. |
Pontos de entrada: o que muda
| MVC | SmartX |
|---|---|
| MODELPRE | Ignorado |
| FORMPRE | formPre |
| FORMPOS | beforeCommit / beforeCommitInTransaction |
| MODELCOMMIT | afterCommitInTransaction |
| FORMLINEPRE / FORMLINEPOS | Em desenvolvimento |
| BUTTONBAR | Não existe: botões são definidos na classe de Interface (addTableAction / addPageAction) |
Nos pontos de entrada do SmartX, você manipula o objeto de dados, mas não a interface. Por exemplo, não dá para abrir uma mensagem de confirmação ao usuário.
Outros pontos de atenção
- Convivência por um bom tempo: muitas rotinas ganham só o browse modernizado e outras continuam clássicas. Os dois mundos vão coexistir.
- Interface mista: ainda não é possível misturar, na mesma interface, campos do dicionário e campos definidos por código.
- RM e Datasul: segundo a cobertura do evento, as duas linhas seguem em fase piloto, com adoção mais ampla prevista para 2027.
- Documentação: parte da TDN sobre SmartX exige login TOTVS Identity. As páginas de introdução, mudança de comportamento, ativação da Nova Visão e Estoque/Custos são públicas.
Ainda não confirmado pela TOTVS (até 18/10/2026)
- Data de disponibilização geral do Protheus 12.1.2610. A data de 14/10/2026 que circula consta no ciclo de vida da linha RM.
- Nome do motor de telas. Os slides chamam de “Smart UI”. A imprensa citou “SmartWise”, em cobertura que se declara assistida por IA.
- Plataforma low-code de customização. Nas palestras, ela apareceu como “Plataforma SmartX (experiência de customização)”, em SaaS. A imprensa citou uma plataforma low-code/no-code como produto à parte (“iStream”). Nome comercial, licenciamento e data ainda precisam ser confirmados.
- Licenciamento e custos do SmartX e da plataforma de customização.
- Matriz completa de rotinas convertidas e o cronograma de RM, Datasul e demais linhas.
Evolução: linha do tempo do SmartX
| Quando | Marco |
|---|---|
| Antes do SmartX | PO UI, a biblioteca de componentes Angular da TOTVS, vira a base visual das telas web |
| 12.1.2310 | Smart View moderniza relatórios e visões de dados no Protheus |
| Out/2025 | Release 12.1.2510 expedida. O SmartX aparece pela primeira vez, ainda de forma tímida, no Universo TOTVS 2025 |
| Mar/2026 | Webinars do Projeto Piloto do release 12.1.2610 da linha Protheus |
| Abr/2026 | Lib Label 20260418, mínima exigida para as rotinas Smart X |
| Mai a jul/2026 | Clientes-piloto constroem testes automatizados para o 12.1.2610 |
| Jul/2026 | Programa Trend in TOTVS detalha o SmartX no 12.1.2610 |
| 13 e 14/10/2026 | Lançamento oficial no Universo TOTVS 2026, com palestras dedicadas ao SmartX |
| 2027 (previsão) | Adoção mais ampla em RM e Datasul |
Checklist: como preparar seu Protheus para o SmartX
Pelo que vimos nas palestras e na documentação, este é o roteiro que recomendamos antes de ligar a Nova Visão em produção:
- Inventarie as customizações nas rotinas que já têm versão SmartX: pontos de entrada de browse, pontos descontinuados e telas MVC alteradas.
- Procure filtros com expressão AdvPL,
DbSetFiltereSetFilterDefaultsem o prefixo@. - Mapeie o uso de Papel de Trabalho no SIGACFG. Restrições de dados e de botões deixam de valer nas rotinas SmartX e precisam de outra solução.
- Identifique os bloqueadores técnicos: ViewDef manual, AddOtherObject, aHeader/aCols, tabelas temporárias, Tree e AxCadastro.
- Revise legendas e botões: .BMP vira tag de cor e botão customizado vira Action.
- Atualize a base: release 12.1.2610, Lib Label ≥ 20260418, dicionário pela Expedição Contínua e dicionário em banco.
- Defina a política de visão (clássica ou nova como padrão) e oriente os key users sobre o Shift+F6.
- Homologue com testes, de preferência automatizados, antes da virada em produção.
- Capacite o time em TLPP orientado a objetos e no modelo Objeto, Modelo e Interface.
Perguntas frequentes sobre o SmartX no Protheus
É a nova plataforma de desenvolvimento da TOTVS. O desenvolvedor descreve dados, regras de negócio e layout em metadados e contratos (uma extensão do JSON Schema), e o framework gera e renderiza a tela web automaticamente, sem programação Angular. A mesma arquitetura atende Protheus, RM e Datasul; o Protheus é a primeira linha a usar em produção.
A partir do release 12.1.2610. A documentação da TOTVS também pede Lib Label igual ou superior a 20260418 e dicionário de dados atualizado pelo pacote de Expedição Contínua mais recente. Até 18/10/2026 não encontramos confirmação pública da data de disponibilização geral do Protheus 12.1.2610; a data de 14/10/2026 que circula refere-se à linha RM.
Não há anúncio de fim do ADVPL. Nas rotinas SmartX, o Modelo e a Interface são classes TLPP e é possível chamar funções ADVPL. O que muda é a forma de construir telas: no lugar de ViewDef e FWFormView, a interface passa a ser um contrato gerado pelo backend e desenhado automaticamente com PO UI.
Rotinas que continuam na visão clássica seguem como estão. Nas rotinas convertidas, há mudanças documentadas pela TOTVS: o Papel de Trabalho do SIGACFG é ignorado, filtros com expressão AdvPL e DbSetFilter deixam de valer, aHeader, aCols e tabelas temporárias não são suportados e alguns pontos de entrada foram substituídos ou descontinuados. Por isso vale fazer um inventário das customizações antes de adotar a Nova Visão.
O administrador define a visão padrão em SIGACFG > Usuários > Senhas > Política > aba Outros > Recursos do Sistema, na opção Abrir rotinas na visão clássica por padrão. Em bases novas essa opção vem marcada. O usuário pode alternar entre a visão clássica e a nova a qualquer momento com Shift+F6, desde que a rotina já tenha sido compatibilizada.
Sim. O suporte ao dicionário de dados é uma premissa do SmartX na linha Protheus. Os objetos podem ser criados a partir do dicionário, herdando campos, validações e gatilhos, e mudanças no dicionário refletem na tela sem alterar código de frontend. Há um campo novo para validações exclusivas do SmartX (X3_VLDSMX), e o X3_WHEN não é usado nessas rotinas.
O SmartLink é a ponte assíncrona e segura entre a plataforma de customização, na nuvem da TOTVS, e o Protheus do cliente, que continua dono dos artefatos e do dado. O Custom Merge guarda a customização como uma diferença (diff) sobre o schema oficial e a reaplica automaticamente a cada nova release, com operações $add, $remove e $modify.
Não. O Smart View é a ferramenta de relatórios e visões de dados da TOTVS, disponível no Protheus desde o 12.1.2310. O SmartX é a plataforma de desenvolvimento de telas e rotinas. Os dois também não se confundem com o Smart Analytics (BI) nem com o Smart ERP (oferta em nuvem).
Fontes e referências
Presenciais: palestras “SmartX: a nova plataforma de desenvolvimento das linhas Protheus, RM e Datasul” e “Linha Protheus: criando e customizando aplicações com a plataforma SmartX”, Universo TOTVS 2026 (São Paulo, 13 e 14/10/2026). As fotos dos slides são da DO THINK.
Documentação oficial TOTVS (TDN, acessada em 18/10/2026):
- Smart X: página centralizadora (Framework)
- Smart X: Introdução
- Mudança de Comportamento Smart X
- Smart X: Ativação da Nova Visão (Browse) do Protheus
- Smart X: Estoque e Custos
- Projeto Piloto Release 12.1.2610: Linha Protheus
Outras fontes:
- iMasters: “SmartX: a aposta da TOTVS para unificar telas entre Protheus, RM e Datasul” (14/10/2026, cobertura assistida por IA)
- Trend in TOTVS: o que muda no release 12.1.2610 (YouTube, 16/07/2026)
- Agenda do Universo TOTVS 2026 e Blog TOTVS sobre o evento
- TNF 8.1: notas de versão
- Central de Atendimento TOTVS: ciclo de vida da linha RM
Conclusão: quer preparar suas customizações para o SmartX?
O SmartX é a maior mudança na forma de desenvolver e customizar o Protheus desde a chegada do MVC. Ele traz telas modernas a partir do dicionário de dados, customização versionada e upgrades com menos conflito. Em troca, exige revisar tudo o que dependia do modelo stateful: filtros em AdvPL, Papel de Trabalho, pontos de entrada de tela, aHeader/aCols e tabelas temporárias.
A DO THINK faz o diagnóstico das customizações do seu Protheus. Cruzamos suas rotinas, pontos de entrada e filtros com as mudanças documentadas pela TOTVS e montamos o plano de atualização para o 12.1.2610, da homologação à virada em produção.
